“Os ímpios de coração guardam consigo a ira… morrem na sua juventude. Mas ao aflito livra da sua aflição e, no meio da angústia, abre-lhe os ouvidos. Assim também a ti te tirará da angústia para um lugar espaçoso, onde não há aperto, e a tua mesa será cheia de abundância.” (Jó 36.13-16)
A dor é inevitável. Todos nós, mais cedo ou mais tarde, passamos pela sala apertada da aflição. Alguns entram e saem dela mais fortes; outros se perdem dentro dela. O texto de Jó mostra essa diferença: os que endurecem o coração se tornam prisioneiros de sua própria ira, mas os que se inclinam diante de Deus têm os ouvidos abertos para ouvir algo novo.
O sofrimento, então, pode ser um cárcere ou uma escola. Um cárcere, quando gera amargura, incredulidade e fuga; uma escola, quando nos ensina a esperar, a ouvir e a perceber a voz do Senhor em meio ao silêncio.
É curioso notar que o versículo diz que Deus abre os ouvidos “no meio da angústia”. Não é depois dela, quando tudo já passou, mas dentro dela, quando ainda há lágrimas, quando o coração ainda está apertado, quando não vemos saída. Deus não espera o cenário melhorar para se manifestar; Ele se revela justamente no vale, quando nossa alma está despida e quebrada.
Essa é a pedagogia divina: Ele usa a dor para nos sintonizar. Enquanto estamos cercados de vozes, distrações e conquistas, raramente prestamos atenção. Mas quando tudo se estreita e somos obrigados a parar, os ouvidos se abrem. E então, ouvimos o que realmente importa.
O texto continua: “Assim também a ti te tirará da angústia para um lugar espaçoso.”
Esse movimento é essencial: Deus não nos chama para ficarmos presos no aperto. A aflição é um caminho de passagem, nunca um destino final. Se você hoje se encontra em um “corredor estreito”, lembre-se: há uma porta no fim dele. E essa porta se abre para um lugar largo, para um respiro, para uma mesa farta.
É assim que o Senhor age: Ele transforma deserto em manancial, lágrimas em cânticos, dores em testemunhos. Ele não apenas alivia a pressão, mas conduz para um espaço onde o coração pode novamente respirar.
A promessa não termina no espaço aberto. Ela vai além: “a tua mesa será cheia de abundância.”
É como se o texto dissesse: não apenas haverá escape, mas haverá provisão. Não apenas haverá saída, mas haverá banquete. Não apenas haverá consolo, mas haverá celebração.
Esse é o estilo de Deus: Ele não nos tira apenas da escravidão, Ele nos conduz a uma terra que mana leite e mel. Ele não apenas encerra o luto, mas o transforma em festa. Ele não apenas silencia a tempestade, mas nos leva a porto seguro.
Talvez hoje você esteja exatamente nesse ponto: dentro da angústia, tentando entender o que deu errado, sufocado por pressões que parecem não ter fim. A Palavra de Jó 36 nos garante que a aflição não é a última palavra. Há um Deus que abre ouvidos no meio da dor, que tira da angústia e que prepara uma mesa diante de nós.
Não permita que o aperto roube sua esperança. A história não termina na dor.
O corredor estreito leva ao espaço largo.
A angústia abre caminho para a mesa farta.
E o silêncio se transforma em canção.
O que Deus começou em você, Ele não deixará inacabado. Espere no Senhor. O aperto é temporário, mas a abundância é eterna!