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Viver pela fé

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A vida cristã não foi desenhada para ser vivida pela ansiedade do que se vê, nem pelo medo do que se ouve, nem pelo peso do que se sente. A vida cristã é, essencialmente, uma caminhada de fé. E quando o apóstolo Paulo declara: “porque andamos por fé e não por vista” (2 Coríntios 5:7), ele não está fazendo poesia; ele está revelando um princípio espiritual de sobrevivência. Porque, se eu decidir conduzir a vida apenas pelo que está diante dos olhos, eu não saio nem de casa. O cenário do mundo assusta, as notícias cansam, a instabilidade gera dúvidas, e o coração começa a perguntar: “Será que Deus está vendo? Será que Deus está no controle?” E é aí que a fé precisa se levantar como fundamento, lembrando aquilo que a alma insiste em esquecer: Deus continua sendo Deus, nada fugiu das Suas mãos, nada escapou do Seu governo, e a história não está à deriva.

Quando eu olho para Abraão, eu entendo como a fé se torna prática. Abraão é chamado de pai da fé porque viveu um relacionamento de confiança com Deus num tempo em que não havia Torá, não havia Escritura compilada, não havia “manual pronto” para consultar. Ele precisou ser sensível à voz de Deus. Deus o chamou para sair da sua terra e da sua parentela, prometendo fazer algo especial com ele. E aqui nasce uma verdade que eu preciso guardar: fé não é apenas acreditar em promessas; fé é responder à voz de Deus com obediência. Por isso, se eu quero viver pela fé, eu preciso aprimorar os meus ouvidos espirituais, porque existem vozes demais disputando o meu coração.

Eu preciso discernir as vozes. Existe a voz do mundo, que hoje grita com força, especialmente através da internet e das redes sociais, gerando adoecimento, comparação, ansiedade e confusão interior. Existe a minha própria voz, carregada de medos, inseguranças e traumas que precisam ser tratados diante de Deus. Existe a voz do diabo, que tenta soar mais alto do que a voz do Senhor, semeando dúvida e acusação. E existe a voz de Deus, que não depende do barulho para ser verdadeira, mas exige sensibilidade para ser reconhecida. O meu destino não é definido pela quantidade de informação que eu recebo, mas pela voz que eu escolho seguir.

E a Palavra é muito clara em Isaías 1:19: “Se quiserdes e me ouvirdes, comereis o melhor desta terra.” Há uma promessa e há uma condição. Tem muita gente ouvindo sobre Deus, ouvindo pregações, ouvindo versículos, ouvindo promessas, mas não obedecendo. E eu aprendo aqui um princípio: promessas caminham sobre princípios. Deus tem promessa para a minha vida, mas essa promessa vai passar por obediência. Não existe desfrute do melhor de Deus sem ouvir e obedecer.

A história do povo que saiu do Egito deixa isso ainda mais evidente. Deus prometeu Canaã, uma terra que mana leite e mel. Aquele povo viu maravilhas: o Mar Vermelho se abrindo, maná caindo do céu, proteção visível na jornada, roupas que não se gastavam, coluna de fogo à noite e nuvem durante o dia. Mesmo assim, quando as dificuldades apareceram, muitos esqueceram a promessa e ignoraram o princípio. A murmuração começou a corroer a fé. E algo muito perigoso aconteceu: começaram a idealizar o passado, a desejar “os melões e as cebolas do Egito”, como se escravidão fosse conforto. É assustador como o ser humano, quando perde visão, passa a chamar de “saudade” aquilo que o destruía.

Eu preciso guardar isso: as promessas de Deus se cumprem, mas elas passam por travessias. E travessias expõem relacionamentos. No deserto, o negativo contaminou rapidamente. A incredulidade se espalhou. E por isso eu também preciso reconhecer uma realidade: não existem famílias perfeitas, igrejas perfeitas ou pessoas perfeitas. O pecado deixou marcas em todos nós. Mas a graça de Deus trabalha em nós diariamente. Onde abundou o pecado, superabundou a graça. A graça não é um convite à acomodação; é um poder para aperfeiçoamento. É o Senhor me tornando melhor a cada dia, para que eu não desista do propósito.

A fé, então, se torna a chave porque ela me faz enxergar o invisível. Ela devolve visão. Ela não nega o deserto, mas impede que o deserto seja a lente pela qual eu vejo o futuro. Deus fez isso com Abraão quando ativou a fé dele por meio de imagens: “Olha as estrelas do céu… olha a areia do mar…” Deus estava ensinando Abraão a visualizar o que ainda não existia, para que a alma não ficasse prisioneira do impossível do momento. Eu aprendo que fé não é só crer; é também enxergar corretamente, manter viva a visão do que Deus prometeu.

E é exatamente isso que faltou à geração do deserto. Eles perderam a visão de Canaã e ficaram olhando para as dificuldades. Quando a pessoa perde visão, ela se enjoa do maná. Ela despreza o que é divino. Ela começa a reclamar da provisão e a duvidar do destino. E é por isso que Josué e Calebe se destacam. Doze viram a terra; dez voltaram com relatório negativo; dois voltaram com fé. Os dez disseram: “Não vai dar. Eles são grandes. Nós não vamos conseguir.” Josué e Calebe mantiveram a visão da promessa. E eu aprendo uma lição séria: palavras negativas interferem na fé de uma comunidade inteira. Relacionamentos têm poder. Se eu caminho cercado de incredulidade, isso pode enfraquecer meu coração e até atrasar a minha chegada às promessas de Deus.

Mais do que isso: eu vejo que circunstâncias e pressões podem interferir até na vida de líderes. Moisés, um homem manso, controlado, sob pressão, no ambiente de reclamação, feriu a rocha quando Deus havia mandado apenas falar. E isso custou caro: ele viu a terra, mas não entrou. Eu não digo isso para gerar medo, mas para gerar temor e vigilância. O inimigo usa ambientes, pressões, pessoas e situações para tentar tirar o crente do eixo, interferir na obediência e enfraquecer a fé. Por isso eu preciso estar atenta: nem tudo que me cerca é neutro; muita coisa tenta me puxar para fora do propósito.

Ainda assim, a Palavra não me deixa em desespero, porque ela me mostra que a fé não apenas me leva ao destino; ela preserva a minha alma no caminho. Hebreus diz: “O justo viverá da fé; e, se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele… nós, porém, não somos dos que retrocedem para a perdição, mas dos que creem para a conservação da alma” (Hebreus 10:38–39). Há uma conservação espiritual que acontece quando eu mantenho a fé. A fé se torna base, chão, fundamento. E eu preciso decidir isso: eu não vou recuar. Eu não vou permitir que o medo domine. Eu não vou entregar minha esperança à ansiedade. Eu não vou desistir por causa de circunstâncias.

E também preciso aprender que fé não é apenas para ser celebrada no culto; fé é para ser praticada em casa, no dia a dia, no ambiente real. Eu venho para ser edificada, mas eu volto para exercer. Eu declaro a Palavra dentro da minha casa. Eu oro pelos meus filhos. Eu abençoo meu casamento. Eu consagro meus ambientes. Eu profetizo provisão, direção, cura e restauração, não como superstição, mas como expressão de confiança em Deus. Eu não fico apenas “ouvindo” sobre fé; eu coloco a fé em ação.

Eu também aprendo que Deus trabalha com completude. Em Lucas 15, a ovelha perdida importa, o filho que saiu importa, a dracma fora do lugar importa. Deus não despreza “um”. Ele busca “um”. E isso me ensina a perseverar por quem está longe, por quem esfriou, por quem se afastou. A semente foi lançada. Eu continuo orando. Eu continuo amando. Eu continuo mantendo a porta aberta, porque Deus é especialista em trazer de volta o que parecia perdido.

Mas existe um alerta que eu não posso ignorar: olhar para trás paralisa a marcha. A mulher de Ló viu o livramento e ainda assim olhou para trás. E olhar para trás não é apenas nostalgia; é viver preso ao passado, é se alimentar de distrações que adoecem a mente, é gastar tempo com aquilo que enfraquece a fé. Por isso Hebreus me chama a lançar fora todo peso e todo pecado e a olhar firmemente para Jesus, autor e consumador da fé. A fé precisa de foco. E o meu foco precisa estar no Nome acima de todo nome.

Eu creio que Deus está me chamando para uma fé crescente, não decrescente. A Bíblia diz que a vereda do justo é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito (Provérbios 4:18). Portanto, o deserto não pode diminuir minha fé; o deserto precisa amadurecê-la. Se as dificuldades aumentaram, eu não vou diminuir; eu vou romper. Eu não vou retroceder. Eu vou avançar.

E quando eu olho para Hebreus 11, eu encontro o fundamento dessa convicção: “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a convicção das coisas que se não veem” (Hebreus 11:1). A fé é base. É certeza. É convicção. E “por ela os antigos alcançaram bom testemunho” (Hebreus 11:2). Pela fé, muros caíram. Pela fé, promessas se cumpriram. Pela fé, pessoas improváveis se tornaram instrumentos extraordinários, como Raabe, que ouviu, creu, agiu e passou a fazer parte da própria linhagem do Messias. Isso me lembra que Deus não faz acepção de pessoas. Não importa a trajetória anterior; quando há arrependimento, fé e obediência, Deus inicia uma nova história.

Por isso eu encerro com a decisão que precisa ser renovada diariamente: eu vou viver pela fé. Eu vou ouvir a voz de Deus acima de todas as outras vozes. Eu vou obedecer aos princípios, mesmo atravessando desertos. Eu vou cuidar dos meus relacionamentos, proteger minha mente e minha visão, rejeitar a murmuração e manter a promessa diante dos meus olhos. Eu não vou recuar. Eu vou avançar. E aconteça o que acontecer, eu vou seguir olhando firmemente para Jesus, porque Ele é o autor e o consumador da minha fé.

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