Em Provérbios 31.13 lemos que “o coração do marido confia nela”. Essa breve afirmação sobre a mulher virtuosa revela muito mais do que um detalhe doméstico: trata-se de um princípio espiritual e relacional profundo. A confiança dentro do lar é fundamento de segurança para o cônjuge e para os filhos. Quando há confiança, há estabilidade; quando ela falta, abre-se espaço para inseguranças, vícios e desajustes que podem ecoar por gerações.
Quem aconselha famílias e casais sabe que muitos jovens que hoje buscam refúgio em dependências emocionais ou químicas, em pornografia ou em relacionamentos abusivos, cresceram em lares nos quais não havia um ambiente de confiança entre marido e mulher. A ausência dessa base transforma o lar em lugar de medo, e não de abrigo.
A mulher, chamada nas Escrituras de “rainha do lar”, é vital para essa atmosfera. Por mais que ela possa contar com auxiliares em casa ou dividir funções ministeriais com outras pessoas na igreja, ninguém pode ocupar o lugar que lhe cabe diante do marido e dos filhos. Não se trata de um discurso antiquado, mas de um chamado ao prazer de viver a feminilidade e a dignidade da vocação de ser esposa e mãe.
Outro aspecto central levantado pela tradição bíblica é a vivência saudável da sexualidade. A mulher virtuosa “faz bem e não mal todos os dias da sua vida” (Pv 31.12), e isso inclui a intimidade conjugal. Aqui não há espaço para tabus: o Cântico dos Cânticos descreve a relação entre Salomão e a sulamita com uma beleza erótica marcada por amor e entrega. A diferença entre sexo e amor, destacada pelo texto bíblico, é essencial: enquanto o sexo pode ser reduzido a mercadoria fora do casamento, o amor conjugal é expressão de doação e aliança.
No aconselhamento pastoral, percebe-se que muitos casais cristãos ainda sofrem na área da sexualidade porque carregam bloqueios, culpas ou até práticas distorcidas pela pornografia. As Escrituras, porém, são claras: “Maridos, vivei com entendimento com as vossas esposas para que as vossas orações não sejam interrompidas” (1Pe 3.7). Quando o casal negligencia o diálogo e o cuidado mútuo, a vida espiritual também é atingida. Mas quando se entendem, oram juntos e se amam plenamente, até as orações ganham nova força.
Se antes o acesso à pornografia exigia esforço, hoje está a um clique de distância. Meninos e meninas têm sido expostos desde cedo a conteúdos que distorcem a identidade sexual e produzem disfunções emocionais e físicas. A recomendação é prática: não permitir que filhos durmam com celulares ou tablets nos quartos, não naturalizar o consumo de imagens que corrompem a visão sobre o corpo e sobre o amor. O quarto da família deve ser preservado como santuário do casal, lugar de oração, intimidade e renovação da aliança.
O poder da visão não deve ser subestimado. Assim como a televisão ou a internet podem ser veículos de edificação espiritual, também podem se tornar canais de degradação moral. O chamado é para que cada lar cuide do que entra pela porta das telas, lembrando que o ambiente conjugal deve ser preservado como espaço sagrado de comunhão espiritual, emocional e física.
A mulher virtuosa não é apenas aquela que organiza a casa ou cumpre deveres. É a que constrói confiança, inspira segurança, promove amor e faz do lar um espaço de graça. No relacionamento com o marido, cuida da dimensão espiritual, emocional e física, sem negligenciar nenhuma. No cuidado com os filhos, vigia para que a cultura do mundo não roube a pureza e a esperança da nova geração.
Em tempos de tantas distrações e rupturas, recuperar a visão bíblica da família como lugar de confiança, intimidade e espiritualidade saudável é mais do que necessário: é urgente. A promessa permanece viva: “ela lhe faz bem e não mal todos os dias da sua vida”.